Relatório fotográfico Caixa Econômica: roteiro de fotos da PLS

Relatório fotográfico Caixa Econômica: roteiro de fotos da PLS

24 min de leitura3 visualizaçõesPor Guilherme Xavier Sella

O relatório fotográfico Caixa Econômica (ou para a Caixa Econômica Federal) é o anexo da PLS, a Planilha de Levantamento de Serviços, que comprova visualmente o avanço declarado na medição. Ele deve conter no mínimo 12 fotografias coloridas e georreferenciadas, sem pessoas na cena, cobrindo a fachada frontal, cada fachada lateral quando possível, os fundos, o logradouro com o terreno, o adesivo de obra da Caixa e um registro de cada cômodo. Na fase de serviços preliminares e fundações, o mínimo cai para 6 fotografias.

Essa é a regra escrita. O que trava a parcela na prática é outra coisa: a Cartilha determina que todos os serviços informados como executados na PLS sejam evidenciados no relatório fotográfico que a acompanha. Ou seja, cada ponto percentual declarado precisa de uma imagem que o sustente. Quando a armadura já está dentro do concreto e a tubulação já está sob o reboco, não existe foto capaz de provar o que foi feito, e o percentual cai.

Este artigo traz o roteiro por etapa, o peso de cada serviço dentro do macroitem da planilha, o protocolo para o que fica oculto e a lista dos motivos que fazem a medição voltar. Toda regra citada sai da fonte oficial, identificada com versão e data.

Vigência. As exigências descritas aqui vêm da Cartilha Habitação PF, Construção, Reforma, Melhoria e Conclusão, com ou sem Ampliação, Versão 12, dezembro de 2025, publicada pela Caixa Econômica Federal (PDF oficial). Requisitos de agente financeiro mudam por modalidade e por versão do manual. Antes de enviar a medição, confirme a versão vigente e as condições do seu contrato com a agência ou o CCA onde a operação foi contratada.

Onde o relatório fotográfico entra no financiamento da Caixa

O mercado mistura quatro documentos diferentes. Separá-los resolve metade das dúvidas sobre por que uma parcela não sai.

Documento O que é Quem preenche ou emite Quem assina
PCI, Proposta de Construção Individual (ou PRM, Proposta de Reforma e Melhoria) Formulário da contratação, com orçamento, cronograma físico-financeiro, memorial e especificações Responsável técnico pela execução RT e proponente
PLS, Planilha de Levantamento de Serviços A medição da etapa, com o percentual de evolução de cada macroitem Responsável técnico pela execução RT e proponente
Relatório fotográfico Anexo da PLS que evidencia os serviços declarados na etapa Responsável técnico pela execução Acompanha a PLS assinada
RAE, Relatório de Acompanhamento da Evolução da Obra Laudo emitido após vistoria presencial do credenciado da Caixa Profissional credenciado pela Caixa Profissional credenciado

A PLS fica no mesmo arquivo da PCI ou da PRM, em abas específicas, junto com os formulários de Proposta de Repactuação de Prazo de Construção e de Alteração de Projetos e especificações. O arquivo precisa estar no computador com as macros do Excel habilitadas, e a entrega é feita em dois formatos ao mesmo tempo: PDF ou PDF-A e Excel, em xlsb ou xlsm.

O encadeamento é simples. O responsável técnico mede a obra, declara os percentuais na PLS e monta o relatório fotográfico de obra da etapa. Proponente e RT assinam. A Caixa analisa e libera o recurso sob a forma de reembolso, na conta do cliente. Em momentos definidos, um profissional credenciado vai ao canteiro, confronta o declarado com o executado e emite o RAE.

Dentro desse circuito, a foto é a única peça que mostra o canteiro sem intermediário. É por isso que ela decide a parcela.

Quantas fotos o relatório fotográfico da Caixa exige?

A Cartilha é literal:

"O Relatório fotográfico da PLS deverá conter no mínimo 12 (doze) fotografias que evidenciem os serviços realizados na etapa e ao menos uma delas deve contemplar o logradouro, o terreno e o adesivo de obra."

E abre uma exceção para o começo da obra:

"Para a fase de serviços preliminares e fundações o total de fotos pode ser reduzido para o mínimo de 6 (seis), desde que se visualize a execução completa dos serviços, o logradouro, o terreno e o adesivo/placa de obra modelo CAIXA afixado."

Os outros dois formulários que também pedem registro fotográfico seguem o mesmo padrão reduzido.

Documento Mínimo de fotos Finalidade do registro
PLS, medição da etapa 12 fotografias Evidenciar os serviços executados no período
PLS na fase de serviços preliminares e fundações 6 fotografias Evidenciar a execução completa dos serviços, o logradouro, o terreno e o adesivo
Proposta de repactuação de prazo 6 fotografias Demonstrar compatibilidade entre o pleito e o estágio atual da obra
Proposta de alteração de projeto ou especificações 6 fotografias Demonstrar compatibilidade entre o pleito e o estágio atual da obra

Doze é piso, não meta. Na rotina de seleção de fotos para medição de obra, como cada serviço declarado precisa estar evidenciado, uma etapa que avança em fundação, alvenaria, cobertura e instalações ao mesmo tempo passa fácil de vinte imagens. Mandar o mínimo quando a etapa teve muitas frentes é o caminho mais curto para a análise pedir complemento.

O que cada foto precisa ter para ser aceita

Três atributos são exigidos, e o terceiro contraria o que quase todo tutorial de fotografia de obra ensina:

"As fotografias devem ser coloridas, georreferenciadas e não devem mostrar pessoas, ainda que de forma parcial, como forma de resguardar o direito de uso de imagens."

Coloridas. Sem filtro, sem preto e branco, sem tratamento que altere a leitura do serviço.

Georreferenciadas. A imagem precisa carregar a coordenada. Isso significa capturar com o GPS do aparelho ativo e com a permissão de localização liberada para a câmera, e não remover os metadados depois. Aplicativo que redimensiona ou reencaminha a foto por mensageiro costuma apagar a geolocalização, e a imagem chega ao analista sem o dado exigido.

Sem pessoas, nem parcialmente. Nada de pedreiro na cena, nada de mão segurando a trena, nada de meio braço na borda do quadro. A orientação de usar figura humana como escala, comum em manual de fotografia técnica, é incompatível com essa exigência. Para dar noção de dimensão, use elementos do próprio canteiro, como trena apoiada, régua, prumo, blocos ou o vão de uma esquadria.

Repare no que a Cartilha não exige na Versão 12: carimbo de data e hora gravado na imagem. Muito material do setor afirma que a Caixa obriga o timestamp na foto. O texto do manual pede georreferenciamento, não a marcação temporal. Ainda assim, manter data e hora no arquivo continua sendo boa prática, por dois motivos: a PLS tem o campo "Data do levantamento", que registra quando o RT foi à obra medir, e a coerência entre essa data e o arquivo da foto é o que sustenta o registro se a medição for questionada depois.

Os enquadramentos obrigatórios em toda medição

Além das fotos dos serviços da etapa, a Cartilha lista o que precisa aparecer sempre:

  • uma foto da fachada frontal;
  • uma de cada fachada lateral, quando possível;
  • uma foto dos fundos;
  • ao menos uma foto que evidencie o logradouro e o terreno;
  • ao menos uma foto que permita identificar a afixação do adesivo ou placa de obra modelo Caixa;
  • uma de cada cômodo, a partir da porta, mostrando piso e paredes.

A foto de cômodo tem regra de posição: a partir da porta, com piso e paredes no quadro. Não é foto de detalhe, é foto de ambiente. O detalhe entra como imagem adicional, nunca no lugar dessa.

O adesivo merece atenção própria. Ele é obrigatório em toda obra financiada, exceto na modalidade Reforma Casa com garantia do imóvel, deve seguir o modelo Caixa, ficar em superfície plana e local visível, em material resistente e em bom estado de conservação. E a comprovação de que ele está afixado é feita exatamente pelo relatório fotográfico. Adesivo desbotado, descolado ou fora do quadro em todas as fotos é pendência fácil de evitar e comum de aparecer.

O que fotografar em cada etapa da obra

Aqui está o que nenhum roteiro genérico entrega. A Cartilha traz, na Tabela 1, os parâmetros para mensuração dos macroitens: o peso de cada serviço dentro do seu macroitem na planilha. É essa tabela que define quanto a obra pode declarar, e por consequência o que a foto precisa mostrar para sustentar a declaração.

Use as tabelas abaixo como roteiro de campo. A coluna "momento limite" é a hora depois da qual a prova deixa de existir.

Fundações e embasamento

Serviço Peso no macroitem O que precisa aparecer na foto Momento limite
Estaqueamento 60% Estacas executadas, com identificação do alinhamento e do eixo Antes do arrasamento e do bloco
Escavação 8% Vala ou cava aberta, com a cota atingida e o fundo limpo Antes do lastro e do concreto magro
Sapatas, cintas e cortinas 20% Armadura montada na fôrma, antes da concretagem, e a peça concretada depois Antes do lançamento do concreto
Rebaixamento do lençol 8% Sistema em operação, ponteiras ou poços, com o nível d'água controlado Enquanto o sistema está ativo
Escoramento dos vizinhos 4% Estrutura de escoramento apoiada na divisa Antes da retirada

Perceba a conta: das cinco linhas, quatro somem embaixo de concreto ou de terra. Fundação mal fotografada é o caso clássico de serviço executado e não pago.

Superestrutura, alvenaria e impermeabilização

Macroitem Como a Cartilha manda medir O que precisa aparecer na foto Momento limite
Superestrutura Proporcionalmente ao número de pavimentos Fôrma montada, armação posicionada, concretagem e a peça desformada, pavimento por pavimento Antes da concretagem para a armação, antes do revestimento para a peça
Alvenaria Proporcionalmente ao número de pavimentos Panos elevados por ambiente, com vergas, contravergas e encunhamento visíveis Antes do chapisco
Impermeabilização Proporcionalmente à área de aplicação Manta ou membrana aplicada, com as subidas em rodapé e os arremates nos ralos Antes da proteção mecânica e do contrapiso

Impermeabilização é o item que mais gera discussão de garantia anos depois. A foto da manta aplicada, antes da proteção mecânica, resolve a medição de hoje e a dúvida de amanhã.

Cobertura

Serviço Peso no macroitem O que precisa aparecer na foto Momento limite
Madeiramento 45% Trama completa, tesouras, terças e caibros apoiados Antes do telhamento
Telha 45% Telhado assentado, visto de ângulo que mostre a extensão do pano Antes de andaime desmontado, que dificulta o ângulo
Arremates, rufos, calhas e tabeira 10% Rufo, calha e tabeira instalados, com o encontro com a alvenaria Antes da pintura de fachada

Instalações

Este é o grupo mais sensível, porque quase tudo que ele contém desaparece. Os pesos abaixo são os da Tabela 1 da Cartilha.

Macroitem Composição por serviço Quanto some depois Momento limite
Instalações elétricas e telefônicas Tubulação nas lajes 30%, tubulação nas alvenarias e caixas 30%, enfiação 20%, disjuntores, tomadas e interruptores 10%, entrada e quadros 10% 60% do macroitem, em eletroduto de laje e de parede Tubulação na laje antes da concretagem, na alvenaria antes do reboco
Água fria e água quente Tubulação no piso 20%, tubulação na alvenaria 70%, caixa d'água 10% 90% do macroitem Antes do contrapiso e antes do reboco
Esgoto e águas pluviais Tubulação no piso 50%, tubulação na alvenaria 20%, caixas, fossa e sumidouro 30% 70% do macroitem, mais as caixas que serão aterradas Antes do contrapiso, do reboco e do reaterro
Instalação de gás Tubulação no piso 70%, tubulação na alvenaria 30% 100% do macroitem Antes do fechamento

Leia a coluna do meio de novo. Em água fria, 90% do valor do macroitem está em tubo que ninguém mais vai ver. Se essa foto não existe, o item fica preso em 10% na planilha até a obra acabar, mesmo com o serviço pronto.

Revestimentos e pisos

Macroitem Composição por serviço O que precisa aparecer na foto Momento limite
Revestimento interno Chapisco 10%, emboço 20%, reboco ou gesso 70% Pano de parede por ambiente, mostrando a camada aplicada Cada camada antes da seguinte
Revestimento externo Chapisco 20%, emboço alisado 80% Fachada por face, com a camada em execução e concluída Antes da pintura
Azulejos Chapisco 5%, emboço 15%, assentamento 75%, rejuntamento 5% Parede assentada por ambiente, e o rejunte concluído Antes das louças e dos metais, que cobrem parte do pano
Piso cerâmico ou madeira Contrapiso 35%, cerâmica ou madeira em taco 65% Contrapiso executado e o piso assentado, a partir da porta Contrapiso antes do piso
Piso em carpete Contrapiso 50%, carpete 50% Contrapiso executado e o carpete instalado Contrapiso antes da instalação

O contrapiso vale mais de um terço do macroitem de piso e some por baixo da cerâmica. É o mesmo problema da tubulação, em escala menor.

Esquadrias, ferragens, pintura, louças e metais

Macroitem Composição por serviço O que precisa aparecer na foto
Esquadria de alumínio Contramarco 30%, folha 70% Contramarco chumbado no vão e a folha instalada
Esquadria de madeira Aduela 35%, folha 60%, alizar ou guarnição 5% Aduela fixada, folha pendurada e guarnição instalada
Ferragem Dobradiça 20%, fechadura 70%, maçanetas e espelhos 10% Detalhe da folha com fechadura e maçaneta montadas
Pintura interna Paredes e tetos 75%, esquadrias 15%, áreas e poços 5%, rodapé, corrimão e quadros 5% Ambiente pintado, a partir da porta, e detalhe das esquadrias pintadas
Pintura interna em látex Emassamento 60%, 1ª demão 20%, 2ª demão 20% Parede emassada e lixada, depois cada demão
Pintura externa em látex acrílico Seladora 20%, 1ª demão 40%, 2ª demão 40% Fachada por face, em cada etapa
Louças e metais, imóvel com 1 banheiro Cozinha e área de serviço 45%, banheiro 55% Bancada, tanque, vaso, lavatório e metais instalados
Louças e metais, imóvel com 2 banheiros Cozinha e área de serviço 35%, banheiros 65% Mesmos itens, ambiente por ambiente

O contramarco vale 30% da esquadria de alumínio e é instalado antes do acabamento do vão. Fotografe o vão com o contramarco chumbado, antes do requadro.

Como registrar as etapas que ficam ocultas

A Cartilha não tem um capítulo chamado "etapas ocultas". A obrigação de registrar etapas ocultadas de obra nasce do cruzamento de duas regras que ela tem: todos os serviços declarados na PLS precisam estar evidenciados no relatório fotográfico, e a Tabela 1 coloca boa parte do valor dos macroitens justamente nos serviços que ficam encobertos.

Etapa oculta, na prática do canteiro, é todo serviço que a etapa seguinte apaga: estaca, bloco, sapata, armadura, tubulação em laje, tubulação em alvenaria, tubulação em piso, caixa de inspeção que será aterrada, impermeabilização sob proteção mecânica, contrapiso sob revestimento.

O protocolo é simples e cabe no fluxo da obra.

  1. Marque os itens na PLS antes de executar. Abra a planilha no começo da etapa e identifique quais macroitens vão avançar por serviços que desaparecem. Essa lista é o seu roteiro de fotos da semana.
  2. Fotografe durante a execução, não depois. A imagem precisa mostrar o serviço pronto e ainda visível, com referência do local no quadro, como uma parede, uma janela ou um eixo que permita localizar o ponto.
  3. Confira o georreferenciamento no ato. Abra a foto ainda no canteiro e verifique se a coordenada está no arquivo. Corrigir isso depois é impossível de forma honesta.
  4. Amarre a foto ao item da planilha. A imagem entra no relatório da etapa correspondente, com a descrição que identifica o item medido. Foto sem vínculo com o item declarado não sustenta percentual.

E quando a etapa já foi coberta e ninguém fotografou?

Acontece, principalmente quando o RT assume a obra no meio. O caminho é um só, e ele começa por não fazer o que parece mais fácil.

Não declare o que não pode comprovar. A Cartilha é expressa ao dizer que devem ser considerados somente serviços efetivamente executados e materiais aplicados na obra, e que as informações prestadas na PLS devem corresponder fielmente à situação da obra. Declarar sem prova, contando que a análise não vá reparar, expõe RT e proponente a impedimento de desembolso e a sanções contratuais, incluindo a inclusão no CONRES, o Cadastro Informativo de Pessoas Físicas e Jurídicas com relacionamento com a Caixa, citado no próprio manual.

O que fazer, em ordem:

  1. Reúna o que existe. Foto de celular de qualquer pessoa da equipe, vídeo, imagem em grupo de mensagem, nota de recebimento de material, relatório diário de obra, ensaio de concreto. Nada disso substitui o registro georreferenciado, mas compõe o conjunto e muda a conversa.
  2. Registre o que ainda está acessível. Caixa de inspeção antes do aterro final, trecho de prumada em shaft, ponto de inspeção aberto, testes de estanqueidade e de energização com o resultado visível.
  3. Declare o percentual comprovável agora e deixe o restante para a etapa seguinte, com a diferença explicada no campo "Observações" da PLS, que existe exatamente para complementar o que não coube nos demais campos ou no relatório fotográfico.
  4. Trate antes de enviar. Leve o caso à agência ou ao CCA da operação antes de protocolar a medição. Pendência explicada antes vale muito mais do que justificativa depois da glosa.
  5. Nunca ajuste data, hora ou localização de imagem. Alterar metadado de foto para simular um registro que não existe é fraude documental, e a responsabilidade técnica pela declaração é de quem assina a PLS. O prejuízo de uma parcela parcial é sempre menor do que o de um contrato distratado.

O que escrever na legenda de cada foto

Saber exatamente o que escrever no relatório fotográfico de obra evita glosas e devoluções desnecessárias. No formulário, cada imagem do relatório tem um campo chamado "Descrever foto". É o campo que o analista lê para entender o que está vendo, e é onde a maior parte dos relatórios joga fora a chance de fechar a medição no primeiro envio.

Uma descrição útil tem cinco informações: macroitem da planilha, ambiente ou local, serviço executado, situação e data.

Par 1, fundação

  • Fraco: "Fundação."
  • Forte: "Fundações e embasamento, sapata S3, eixo B com eixo 4, armadura montada e conferida na fôrma antes da concretagem, 12/05/2026."

Par 2, instalações

  • Fraco: "Hidráulica."
  • Forte: "Água fria, banheiro social, tubulação embutida na alvenaria concluída e testada, registro de pressão antes do chapisco, 19/05/2026."

Par 3, ambiente

  • Fraco: "Quarto pronto."
  • Forte: "Revestimento interno, dormitório 2, vista a partir da porta, reboco concluído em paredes e teto, piso ainda em contrapiso, 26/05/2026."

Repare que a descrição forte não é mais bonita, é mais verificável. Ela diz onde fica, o que foi feito, até onde foi feito e quando. O analista consegue casar a frase com a linha da planilha sem abrir outro documento.

O que o engenheiro credenciado confere na vistoria

Nem toda etapa tem visita. Na modalidade de acompanhamento por marcos, a Cartilha determina que as vistorias ocorram obrigatoriamente quando a obra alcançar 30% e 85% de evolução, e prevê vistorias adicionais caso sejam identificadas divergências. As demais etapas são liberadas com base no percentual declarado na PLS e no cronograma pactuado.

Na Reforma Casa com garantia de imóvel do SBPE, contratada a partir de 3 de novembro de 2025, não há acompanhamento presencial durante a execução. A vistoria presencial acontece apenas na liberação da última parcela, com emissão do RAE.

O que muda na visita é a natureza da prova. Até ali, o que a Caixa tem é a sua declaração apoiada nas fotos. No dia da vistoria, o credenciado confronta os dois com a obra física. Serviço aparente é medido na hora. Serviço oculto só existe se o relatório fotográfico provar que existiu.

Dois pontos práticos: o responsável técnico pela execução deve estar disponível na obra para acompanhar as vistorias nas datas agendadas, e a obra precisa estar sendo executada conforme o projeto, as especificações e o cronograma aprovados. Quando não está, a Caixa pode solicitar novas vistorias e, em casos mais graves, suspender o pagamento das parcelas.

Por que a medição volta: os motivos mais comuns

Motivo O que o analista ou o credenciado enxerga Como evitar Como corrigir
Percentual declarado sem foto correspondente Linha da PLS com avanço e nenhuma imagem do serviço Montar o relatório a partir das linhas que avançaram, não das fotos que existem Reduzir o percentual para o comprovável e reapresentar
Serviço oculto sem registro prévio Item de tubulação ou fundação alto na planilha, canteiro já revestido Fotografar durante a execução, com a lista feita antes da etapa Declarar o comprovável e tratar a diferença com a agência
Foto sem georreferenciamento Arquivo sem coordenada Capturar com GPS ativo e não reencaminhar a imagem por aplicativo que remove metadados Refazer o registro do que ainda estiver visível
Pessoa na imagem Trabalhador, mesmo parcialmente, no quadro Limpar o quadro antes do clique e usar trena ou régua como escala Substituir a foto
Cômodo sem foto de ambiente Só detalhes, nenhuma vista a partir da porta Fazer primeiro a rodada de ambientes, depois os detalhes Complementar o relatório
Adesivo de obra ausente ou ilegível Nenhuma imagem permite identificar a placa modelo Caixa Incluir sempre a foto de logradouro, terreno e adesivo Recolocar o adesivo e registrar
Alteração de projeto sem aprovação prévia Obra diferente do projeto aprovado Protocolar a proposta de alteração antes de executar Formalizar a alteração e aguardar aceite
Percentual acima do previsto no cronograma Etapa medindo além do limite pactuado Respeitar o limite do cronograma aprovado Solicitar reprogramação do cronograma
Divergência de responsável técnico Quem assina a PLS não é o RT da proposta aprovada Manter o mesmo profissional do início ao fim Formalizar a mudança de RT com a documentação exigida

Vale registrar a advertência que a própria Cartilha faz: informações que não correspondem à situação real da obra podem impedir o desembolso, comprometer o andamento e sujeitar proponente e RT a sanções previstas no contrato.

O que fazer quando o prazo estoura

Prazo vencido não é um detalhe administrativo, é o que bloqueia a liberação seguinte. Os limites da Versão 12 são estes:

Modalidade Prazo de construção Prorrogação excepcional
Construção com recursos do SBPE, sem antecipação De 2 até 24 meses Até 30 meses
Construção com recursos do SBPE, com antecipação De 3 até 24 meses Até 30 meses
Construção com recursos do FGTS De 2 até 24 meses Até 36 meses
Reforma com recursos do FGTS De 2 até 6 meses Até 9 meses
Reforma com recursos do SBPE De 1 até 6 meses Até 9 meses

A prorrogação depende de repactuação do prazo de construção e de justificativa do atraso. Na Reforma Casa com garantia do imóvel, a repactuação é automática e alcança no máximo 9 meses, sem proposta do cliente.

Três regras de cronograma que evitam a maior parte dos travamentos: o ciclo de liberação é mensal, contado da data de aniversário do contrato, com uma parcela por mês; o percentual de cada etapa precisa respeitar o limite previsto no cronograma aprovado; e a última etapa tem evolução mínima de 5%, que é a parcela liberada apenas após a conclusão, o cumprimento das exigências e a averbação na matrícula. Na Reforma Casa com garantia de imóvel do SBPE contratada a partir de 3 de novembro de 2025, o valor bloqueado para o final é de no mínimo 20%.

Para pedir prazo, use a aba de repactuação do mesmo arquivo da PCI ou PRM, com as seis fotos que demonstram o estágio atual da obra. Esses registros servem como provas para atrasos em obras decorrentes de fatores climáticos ou imprevistos de fornecimento, dando respaldo técnico ao pleito. Para mudar projeto ou especificação, use a aba de alteração, também com seis fotos, e lembre que a alteração só deve ser executada depois do aceite formal da Caixa.

As regras mudam conforme o produto

Nem toda obra com dinheiro da Caixa segue o rito da PLS. Confundir os produtos é o que gera metade das dúvidas na internet.

Produto Como a obra é comprovada Vistoria presencial Observação
Construção ou conclusão, financiamento PF PLS com relatório fotográfico de no mínimo 12 fotos por etapa Obrigatória nos marcos de 30% e 85%, e sempre que forem identificadas divergências Adesivo de obra obrigatório, alvará vigente exigido para as liberações
Reforma Casa com garantia de imóvel, SBPE PLS com relatório fotográfico Apenas na última parcela, com RAE Contratos a partir de 3 de novembro de 2025, retenção final de no mínimo 20%, adesivo dispensado
Reforma Casa Brasil Fotos de antes e de depois enviadas pelo próprio cliente Não há Liberação de 90% na contratação e 10% após as fotos, prazo de até 55 dias para concluir e enviar
Obra pública com recurso federal Boletim de medição e memória de cálculo, com relatório fotográfico anexo Conforme o contrato de repasse Rito diferente do financiamento PF, com exigência de documentação fiscal

No Reforma Casa Brasil, a Caixa informa que não há visita técnica, que o próprio cliente registra as fotos de antes e de depois e que não são exigidos orçamentos nem notas fiscais dos materiais. É o extremo oposto do financiamento de construção: menos burocracia, e a foto como única prova.

Checklist antes de enviar a medição

Passe esta lista antes de anexar a PLS. Ela cobre os motivos de devolução da tabela acima.

Conferência Está pronto?
Toda linha da PLS com avanço tem pelo menos uma foto correspondente
Mínimo de 12 fotos atingido, ou 6 na fase de serviços preliminares e fundações
Fachada frontal, laterais possíveis e fundos registrados
Uma foto com logradouro, terreno e adesivo de obra modelo Caixa legível
Uma foto de cada cômodo, a partir da porta, mostrando piso e paredes
Todas as imagens coloridas e com georreferenciamento no arquivo
Nenhuma pessoa visível, nem parcialmente, em nenhuma foto
Serviços ocultos da etapa fotografados antes do fechamento
Cada foto com descrição que identifica macroitem, local, serviço, situação e data
Percentuais dentro do limite do cronograma aprovado
Campo "Data do levantamento" coerente com as fotos da etapa
Observações preenchidas quando algum item precisa de explicação
PLS assinada pelo proponente e pelo RT da proposta aprovada
Arquivo entregue em PDF ou PDF-A e em Excel, xlsb ou xlsm

Perguntas frequentes

Quantas fotos o relatório fotográfico da Caixa exige?

No mínimo 12 fotografias por etapa, segundo a Cartilha Habitação PF, Versão 12, de dezembro de 2025. Na fase de serviços preliminares e fundações, o mínimo cai para 6, desde que se visualize a execução completa dos serviços, o logradouro, o terreno e o adesivo de obra afixado. Todo serviço declarado precisa estar evidenciado.

A foto precisa ter data e hora gravadas?

A exigência escrita na Versão 12 é que as fotografias sejam coloridas, georreferenciadas e sem pessoas. A marcação de data e hora não aparece como obrigação nesse trecho, mas manter o dado no arquivo é recomendável, porque sustenta a coerência entre as imagens e a data do levantamento informada na PLS.

Pode aparecer o pedreiro na foto?

Não. A Cartilha determina que as fotografias não mostrem pessoas, ainda que de forma parcial, como forma de resguardar o direito de uso de imagens. Isso vale inclusive para a mão que segura a trena. Para dar escala, use trena apoiada, régua, bloco ou o vão de uma esquadria como referência dimensional.

Qual a diferença entre PLS e RAE?

A PLS é a declaração de avanço, preenchida pelo responsável técnico pela execução e assinada por ele e pelo proponente, com o relatório fotográfico anexo. O RAE é o laudo emitido por profissional credenciado pela Caixa depois de vistoria presencial, confrontando o que foi declarado com o que existe na obra.

Foto de celular comum serve?

Serve, desde que atenda aos requisitos: imagem colorida, nítida, com georreferenciamento ativo e sem pessoas no quadro. O cuidado maior é com o trajeto do arquivo. Enviar a foto por aplicativo de mensagem costuma comprimir a imagem e remover os metadados de localização, e ela chega sem o dado exigido.

O que acontece se a vistoria apontar menos obra do que a PLS declarou?

O percentual é ajustado para o que foi efetivamente constatado e a liberação acompanha esse ajuste. A Cartilha adverte que irregularidades identificadas no acompanhamento podem impedir o desembolso das parcelas, comprometer o andamento da obra e sujeitar proponente e responsável técnico às sanções previstas no contrato.

Quem assina a PLS e o relatório fotográfico?

O proponente e o responsável técnico pela execução da obra, o mesmo profissional informado na proposta técnica aprovada pela Caixa. A assinatura pode ser digital, com certificação ICP-Brasil, ou manual, com o documento impresso, assinado e digitalizado. O relatório fotográfico integra a PLS e segue com ela.

Da foto no canteiro à parcela liberada

Quem já passou por uma glosa sabe que o problema quase nunca é a obra. É a foto que ficou no celular de alguém, sem localização, sem ambiente identificado e sem ligação com a linha da planilha que ela deveria comprovar. Como diz a dor mais comum do canteiro, não há como provar o que foi feito em uma data específica.

Sobre o autor

Foto de Guilherme Xavier Sella

Guilherme Xavier Sella

Engenheiro Civil e CEO do Obras Check

Criei o Obras Check para padronizar e organizar a gestão e qualidade das obras.

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