Controle de revisão de projetos: o guia do canteiro

21 min de leitura12 visualizaçõesPor Guilherme Xavier Sella

Controle de revisão de projetos é o conjunto de regras que define como cada prancha é nomeada, aprovada, publicada e substituída ao longo do empreendimento. Ele existe para responder a uma pergunta só, e sempre a mesma: qual desenho vale agora. Na prática, funciona sobre quatro pilares. Nomenclatura padronizada, revisão vigente registrada em lista mestra, distribuição controlada para o canteiro e recolhimento formal da versão anterior.

A maioria dos artigos sobre o assunto para no primeiro pilar. Ensina a nomear o arquivo, explica o padrão AsBEA e encerra. Só que o erro caro não acontece no servidor da coordenação, acontece na bancada do mestre de obras, quando alguém executa uma alvenaria com uma folha impressa três semanas atrás. Este guia cobre o ciclo inteiro, do código do arquivo até o carimbo de OBSOLETO na cópia recolhida, e traz o que quase ninguém escreve: como provar, em campo, que a folha na mão do encarregado é a vigente.

O que é controle de revisão de projetos?

Controle de revisão de projetos é a parte da gestão documental da obra que rastreia cada alteração feita em um desenho técnico, identifica qual é a versão válida e garante que apenas ela circule nas frentes de serviço. Não se confunde com gerenciamento de projetos no sentido do PMBOK, que trata de escopo, prazo e custo. Aqui o objeto é físico e específico: a prancha, o memorial, a especificação técnica.

O processo tem três papéis definidos, e vale nomear cada um antes de seguir:

  • Projetista. Desenvolve a alteração no ambiente CAD ou BIM e publica o arquivo. Não libera nada para a obra por conta própria.
  • Coordenador de projetos. Faz a análise crítica, verifica o impacto da alteração nas demais disciplinas, aprova e muda o status do documento para LIBERADO PARA EXECUÇÃO. É o dono da lista mestra.
  • Engenheiro residente e responsável da qualidade na obra. Recebem a revisão, distribuem no canteiro, recolhem a versão anterior e registram tudo.

Quando esses papéis não estão escritos, o controle vira responsabilidade difusa, e responsabilidade difusa em obra significa que ninguém fez. Em empresas com sistema de gestão da qualidade implantado, essa divisão costuma estar formalizada no procedimento de controle de documentos e no Plano de Qualidade da Obra (PQO).

O ambiente onde os arquivos vivem também tem nome técnico: ambiente comum de dados (CDE), do inglês Common Data Environment. É o repositório único onde cada documento tem um status explícito, algo que uma pasta compartilhada genérica não oferece, porque nela todo arquivo tem a mesma aparência de arquivo válido.

Qual a diferença entre emissão e revisão de um projeto?

Emissão é o ato de publicar o documento, com data, para um uso determinado. Revisão é o índice que identifica quantas vezes o conteúdo daquele documento mudou. Toda revisão de projeto R00 R01 nova gera uma emissão nova, mas nem toda emissão significa que o desenho mudou de conteúdo, pode ser reemissão para outra finalidade.

No selo da prancha os dois campos convivem, e é comum a equipe olhar o campo errado:

  • Data de emissão. Quando aquela folha foi publicada e liberada.
  • Data da revisão. Quando o conteúdo daquele índice foi alterado.

A regra prática para o canteiro é simples: quem manda é o índice de revisão, e a data confirma. Se duas folhas do mesmo documento estão na frente de serviço, vale a de índice maior. Se o índice é o mesmo e a data é diferente, alguém reimprimiu fora do processo e as duas devem ser conferidas contra a lista mestra antes de qualquer serviço.

O que significam R00, R01 e R02 na prancha?

R00 é a emissão inicial do projeto executivo liberada para o canteiro. R01, R02 e R03 são as revisões posteriores, cada uma revogando automaticamente a anterior. Antes do R00, enquanto o projeto está em estudo, compatibilização ou aprovação legal, a convenção usada é alfabética: Rev. A, Rev. B, Rev. C.

Essa separação entre índice alfabético e índice numérico é a parte que mais gera confusão em obra, e é o que a tabela abaixo resolve.

Índice Em que fase aparece O que significa Pode executar com ela?
Rev. A, Rev. B, Rev. C Estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, compatibilização entre disciplinas Documento em desenvolvimento ou em aprovação. Ainda pode mudar por decisão de projeto ou exigência de órgão público Não
R00 Projeto executivo aprovado pela coordenação Emissão inicial. É a linha de base da construção Sim
R01, R02, R03 e seguintes Qualquer alteração posterior ao R00 Nova versão vigente. A publicação da R01 invalida a R00 no canteiro Sim, sempre a de índice mais alto

Três regras derivam disso e valem repetir para a equipe:

  1. Folha alfabética não vai para a frente de serviço. Rev. B serve para aprovar, orçar e compatibilizar, não para construir.
  2. A revisão nova revoga a anterior. Não existe convivência de duas revisões válidas do mesmo documento. Se a R01 saiu, a R00 é papel morto.
  3. Alteração exige índice novo. Riscar a folha na obra, corrigir uma cota à caneta ou anexar um croqui no grupo de mensagens não é revisão. É desvio de processo, e cria uma versão que só existe naquela cópia.

Como nomear os arquivos de projeto pelo padrão AsBEA?

O padrão AsBEA nomenclatura revisão, difundido pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), monta o nome do arquivo como um código encadeado de campos, com algo entre 17 e 20 caracteres. Cada campo tem posição e tamanho fixos, de modo que o nome sozinho já diz de qual obra, disciplina, fase, pavimento e revisão aquele desenho é, ensinando na prática como organizar plantas de obra.

Exemplo de código completo, decodificado campo a campo:

XYZ-042-ARQ-EX-XA01-TER-PLA-R01

Campo Valor no exemplo O que representa
Construtora ou empresa XYZ Três caracteres que identificam a organização responsável
Obra ou empreendimento 042 Três dígitos do contrato ou do empreendimento
Disciplina ARQ Especialidade técnica do desenho
Fase EX Maturidade da informação, aqui projeto executivo
Folha ou prancha XA01 Identificador de torre mais número sequencial
Localização TER Posição física na obra, aqui térreo
Assunto PLA Tipo de desenho contido na folha, aqui planta baixa
Revisão R01 Índice da versão

Siglas de disciplina mais usadas:

Sigla Disciplina
ARQ Arquitetura e urbanismo
AIT Arquitetura de interiores
EST Estruturas de concreto e estrutural em geral
MET Estruturas metálicas
FND Fundações e geotecnia
HID Instalações hidrossanitárias e drenagem
ELE Instalações elétricas e telefonia
GAS Instalações de gás combustível
MEC Instalações mecânicas e climatização
BOM Proteção e combate a incêndio
PAI Arquitetura paisagística
TOP Topografia e agrimensura
VED Vedações verticais e alvenaria

Códigos de fase:

Sigla Fase do projeto
EP Estudo preliminar
AP Anteprojeto
PB Projeto básico
PL Projeto legal, para aprovação em prefeitura e concessionárias
EX Projeto executivo, liberado para o canteiro

Localização e assunto, os dois campos mais esquecidos, seguem a mesma lógica. Para localização, siglas como TER para térreo, 1SS para primeiro subsolo, TIP para pavimento tipo, COB para cobertura, BAR para barrilete, CRT para cortes gerais e FAC para fachadas. Para assunto, PLA para planta baixa, CRT para cortes e seções, AMO para áreas molhadas, ELP para elevação de paredes e DCT para detalhes construtivos. Em empreendimento de torre única, o campo de folha usa a letra X na frente, como XA01. Com múltiplas torres, usa a letra da edificação, AA01 para a Torre A, BA01 para a Torre B.

O ganho não é estético. Com o código padronizado, ordenar a pasta por nome já agrupa disciplina, pavimento e revisão na ordem certa, a busca encontra a folha pelo trecho do código e ninguém precisa abrir o arquivo para saber o que ele é. É o fim do planta_final_v2_corrigida_ok.dwg, que é o nome de arquivo mais perigoso da construção civil brasileira, porque parece definitivo e quase nunca é.

O que precisa constar no carimbo da prancha?

O carimbo, ou selo, fica no canto inferior direito da folha e é onde o controle de revisão se torna verificável por qualquer pessoa que pegue o papel na mão. Um selo completo tem os campos abaixo.

Campo do carimbo Conteúdo Por que importa
Identificação do empreendimento e da folha Nome da obra, código do documento, título da prancha, escala Liga o papel ao contrato e ao acervo
Tabela de histórico de alterações Colunas de índice (R00, R01), descrição sucinta da modificação, data, desenhista e aprovador Diz o que mudou entre uma revisão e outra, sem precisar comparar desenhos
Responsabilidade técnica Autores, registro CREA ou CAU, número da ART ou RRT É o vínculo legal do desenho com quem responde por ele
Campo de validação operacional Espaço para o carimbo LIBERADO PARA EXECUÇÃO ou CÓPIA CONTROLADA Separa a folha oficial da cópia informal
Identificador de rastreabilidade QR Code ou código vinculado ao arquivo na nuvem Permite conferir a vigência da folha em campo, com a câmera do celular

Um detalhe operacional faz diferença na tabela de histórico: a descrição da alteração precisa ser específica. "Ajuste na posição do ponto de esgoto da cozinha" permite que o encarregado saiba onde olhar. "Revisão geral" obriga a comparar a prancha inteira, e na prática ninguém compara, o que transforma a revisão em risco silencioso.

Como montar a lista mestra de projetos?

A lista mestra é o documento que responde, a qualquer momento e para qualquer pessoa, qual revisão de cada prancha está valendo. É o item que a auditoria pede primeiro e é o que separa uma obra organizada de uma obra que apenas parece organizada. Ela pode viver em planilha ou em sistema, desde que exista uma só e esteja atualizada.

As colunas mínimas, prontas para montar a sua:

Coluna Conteúdo
Código do documento Nome padronizado da prancha, sem o índice de revisão
Título Descrição legível, por exemplo Planta de forma do 4º pavimento
Disciplina e fase ARQ, EST, HID, ELE e a fase correspondente
Revisão vigente R00, R01, R02
Data da emissão vigente Data em que a revisão atual foi liberada
Status Em análise, liberado para execução, cancelado
Aprovador Quem fez a análise crítica e liberou
Data de distribuição Quando a obra recebeu
Cópias impressas em circulação Quantas, onde e com quem
Revisão anterior recolhida Sim ou não, com data

As duas últimas colunas são as que quase todo mundo esquece, e são exatamente as que fecham o ciclo. Sem elas a lista mestra descreve o servidor, não o canteiro. Com elas, a pergunta "onde estão as folhas da R00 que precisam sumir" tem resposta em dez segundos.

Regra de manutenção: a lista mestra é atualizada no ato da liberação, não no fim do mês. E uma cópia dela precisa estar visível na obra, no quadro da qualidade ou em tela de fácil acesso, porque uma lista mestra que só a coordenação enxerga não controla nada em campo.

O que a ISO 9001 e o PBQP-H SiAC exigem do controle de projetos?

A NBR ISO 9001:2015 trata do assunto no item 7.5, que fala de informação documentada. O requisito exige controle sobre criação, atualização, identificação, formato, análise crítica e aprovação dos documentos. O item 7.5.3 acrescenta o controle de distribuição, acesso, recuperação, armazenamento, controle de alterações, retenção e disposição final, além da proteção contra uso não pretendido.

O PBQP-H é o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Seu sistema de avaliação da conformidade, o SiAC, tem o regimento geral consolidado na Portaria nº 79, de 14 de janeiro de 2021, do Ministério das Cidades. Ele qualifica construtoras em níveis, sendo o Nível A o mais exigente, e a certificação tem peso direto no acesso a financiamento habitacional público e em participação de licitações. Para cada empreendimento, o SiAC exige o Plano de Qualidade da Obra (PQO), que precisa normatizar o recebimento e a conferência dos projetos no canteiro, o uso de pranchas identificadas como cópia controlada e o recolhimento formal das versões superadas.

Como os dois se encontram no mesmo fluxo:

Requisito NBR ISO 9001:2015, item 7.5 PBQP-H SiAC, regimento de 2021
Conceito base Gestão da informação documentada Qualificação de empresas de serviços e obras
Instrumento obrigatório Lista mestra de documentos atualizada Plano de Qualidade da Obra (PQO)
Controle de distribuição Garantia de que o documento certo está disponível no local de uso Uso exclusivo de pranchas com carimbo de cópia controlada
Tratamento do obsoleto Prevenção contra uso não pretendido Recolhimento, inutilização física ou carimbo de OBSOLETO
Consequência da falha Não conformidade apontada no sistema de gestão Registro de não conformidade que impede a certificação de Nível A

A leitura prática das duas colunas é a mesma: a norma não pergunta se você tem software. Pergunta se você consegue mostrar qual revisão está válida, quem recebeu, quando recebeu e o que foi feito com a folha antiga. Quem consegue responder isso com evidência atende os dois referenciais com um único processo.

Como funciona o fluxo de aprovação e distribuição até o canteiro?

O trajeto de uma alteração, do momento em que o projetista mexe no desenho até a hora em que o pedreiro usa a folha certa para evitar retrabalho na obra projetos, tem seis etapas. Cada uma com um responsável e um registro.

  1. Desenvolvimento e publicação. O projetista faz a alteração em CAD ou BIM e publica o arquivo editável e o PDF no ambiente comum de dados (CDE), com status de em análise.
  2. Análise crítica da coordenação. O coordenador verifica o impacto da alteração nas demais disciplinas, aprova e muda o status para LIBERADO PARA EXECUÇÃO. Sem essa etapa, uma correção de arquitetura chega ao canteiro sem que a estrutura tenha sido consultada.
  3. Atualização da lista mestra. A revisão vigente passa a ser a R(n) e a anterior vai para o histórico, acessível mas claramente fora de uso.
  4. Protocolo de transmissão de documentos. A coordenação emite o protocolo de transmissão de documentos notificando o engenheiro residente da nova prancha disponível, e colhe o aceite.
  5. Recolhimento e substituição no canteiro. A obra localiza as cópias impressas da revisão anterior, inutiliza ou carimba como OBSOLETO, e coloca a nova folha com carimbo de cópia controlada nas pastas de campo.
  6. Validação em campo antes do serviço. Antes de iniciar fôrma, armação, tubulação ou alvenaria, o encarregado confere se a folha em mãos é a vigente.

O protocolo de transmissão de documentos da etapa 4 é curto e leva dois minutos para preencher. Os campos que ele precisa ter: número do protocolo, data, emissor, destinatário, relação dos documentos com código e índice de revisão, motivo da emissão, e campo de aceite com nome, data e assinatura de quem recebeu. É esse papel de duas linhas que separa "eu avisei a obra" de "ninguém me falou nada" quando a discussão chega na reunião de medição.

Como garantir que o canteiro está com a revisão vigente?

Aqui está a diferença entre organizar projeto e controlar projeto. Organizar é tarefa de escritório e todo mundo faz razoavelmente bem. Controlar é provar, em campo, que a folha que está na mão do encarregado é a válida, definindo a melhor forma de compartilhar planta com canteiro. São cinco mecanismos, e eles funcionam empilhados, não isolados.

1. Fonte única, com permissão de leitura para o campo. Uma pasta só, um sistema só. A obra acessa e consulta, não edita nem apaga. No instante em que uma prancha é enviada por aplicativo de mensagem ou anexada em e-mail, ela vira cópia não controlada, porque passa a existir fora do alcance de qualquer atualização.

2. Carimbo de cópia controlada em toda folha impressa. Cada impressão liberada recebe o carimbo, o número da cópia e o destino, por exemplo cópia 03, frente de serviço da Torre B. Folha impressa sem carimbo é folha sem dono e sem rastreio.

3. Lista mestra visível na obra. Impressa no quadro da qualidade ou aberta em tela de acesso comum. Se para saber a revisão vigente é preciso ligar para a coordenação, o processo não sobrevive a uma sexta-feira à tarde.

4. Validação no ato, pelo QR Code do carimbo. O código impresso no selo aponta para o arquivo vigente na nuvem. O encarregado aponta a câmera do celular e a tela confirma se aquela folha é a atual. É o mecanismo que dispensa treinamento, porque usa um gesto que a equipe já domina, e é o que resolve a objeção de que o campo não tem maturidade digital.

5. Ponto de checagem antes de serviço irreversível. Concretagem, fechamento de shaft, marcação de alvenaria e passagem de eletroduto em laje só liberam com a conferência do índice da revisão consultada, registrada na liberação assinada. Serviço irreversível merece verificação formal, o resto pode ser rotina.

O procedimento de recolhimento da revisão vencida

Este é o pedaço que os concorrentes descrevem como obrigação e ninguém detalha como rotina. Publicada a revisão nova, a obra executa:

  1. Recebe o protocolo com a relação das pranchas que mudaram de índice.
  2. Localiza todas as cópias da revisão anterior: pasta de campo, barracão, sala do mestre, frente de serviço, empreiteiro e projetista terceirizado que esteja com folha impressa.
  3. Inutiliza ou carimba como OBSOLETO. A destruição é o caminho mais seguro. Quando a cópia precisa ser retida por histórico, ela vai carimbada para uma pasta separada, fora do fluxo de consulta.
  4. Registra na lista mestra a data do recolhimento e quantas cópias voltaram, comparando com quantas foram distribuídas. A conta precisa fechar.
  5. Distribui a revisão nova com carimbo de cópia controlada e colhe o aceite de quem recebeu.
  6. Abre registro de não conformidade (RNC) se algum serviço já foi executado pela revisão anterior, e trata como não conformidade, com análise de causa e decisão sobre refazer, reforçar ou aceitar mediante avaliação técnica.

A falha mais comum não está nesse roteiro, está fora dele: a foto da planta no celular particular do encarregado. Ela não tem carimbo, não tem número de cópia e não tem recolhimento possível. Por isso o procedimento precisa dizer, com todas as letras, que prancha não circula por foto em aplicativo de mensagem. Quem quiser consultar pelo celular consulta o arquivo vigente no sistema, que atualiza sozinho.

Quanto custa executar com projeto desatualizado?

Levantamentos do setor de engenharia de produção civil apontam que retrabalho e erros de execução consomem entre 5% a 15% do custo total de um empreendimento. Parte relevante desse total nasce de obra executada com projeto desatualizado, incompleto ou com incompatibilidade não resolvida. A conta que raramente é feita, porém, é a do evento isolado: quanto custa uma única parede erguida pela revisão errada.

O custo se divide em duas camadas.

Custos diretos:

  • Demolição do serviço executado e remoção do entulho.
  • Material perdido, que inclui bloco, argamassa, tubulação, eletroduto, aço e concreto já aplicados.
  • Refazimento completo do serviço, com material e mão de obra novamente.

Custos indiretos, que costumam ser maiores que os diretos:

  • Mão de obra parada durante a decisão técnica sobre o que fazer.
  • Prorrogação de locação de fôrma, escoramento e equipamento.
  • Deslocamento das atividades sucessoras no cronograma, com efeito em cascata.
  • Multa contratual por atraso de entrega, quando prevista.
  • Desgaste com o cliente, com o projetista e com a própria equipe, que é o custo que não entra em planilha e é o que mais dura.

Para calcular o evento na sua obra, some as parcelas com os valores do seu orçamento:

Custo do erro = demolição e remoção + material perdido + (homens-hora parados x custo horário da equipe) + (dias adicionais x custo diário de locação e indiretos) + multa aplicável

Duas observações que mudam a ordem de grandeza do resultado. A primeira: o custo é assimétrico no tempo. Erro descoberto antes da concretagem custa uma conversa, o mesmo erro descoberto depois custa demolição de elemento estrutural. A segunda: quanto mais enterrado ou embutido o serviço, maior o multiplicador, porque a correção passa a exigir abertura de elemento pronto.

Que erro cada disciplina comete com planta vencida?

O padrão de falha muda conforme a disciplina, e conhecer o padrão ajuda a escolher onde apertar o controle primeiro.

Disciplina Erro típico com revisão vencida Impacto no canteiro Mecanismo preventivo
Estruturas (EST) Concretagem de elemento com armação ou furação alterada na revisão nova Reforço estrutural de alto custo ou demolição do elemento Conferência obrigatória do índice da folha de fôrma e armação antes do lançamento do concreto
Hidráulica (HID) Prumada ou shaft montado em posição modificada pela revisão da arquitetura Rasgo em alvenaria pronta e perda de tubos e conexões Checagem da lista mestra pelo encarregado de instalações no início de cada semana
Elétrica (ELE) Eletroduto passado em laje conforme leiaute de pontos já revogado Impossibilidade de puxar a fiação, exigindo tubulação aparente ou rasgo em laje Liberação de concretagem condicionada à assinatura do índice do projeto elétrico vigente
Vedações (VED) Marcação de vãos de porta e janela sem considerar a revisão de esquadrias Desperdício de bloco e argamassa, refazimento de verga e contraverga Elevação de paredes com carimbo de cópia controlada exposta na frente de trabalho

O denominador comum das quatro linhas é o momento da verificação. Em todos os casos, o controle que funciona acontece imediatamente antes do serviço, não na reunião semanal.

Qual versão vale quando os documentos divergem?

Divergência entre documentos é rotina, e a discussão no canteiro costuma terminar na opinião de quem fala mais alto. Existem critérios técnicos consolidados, e dois deles aparecem nos manuais de auditoria de obras públicas e em pareceres do Tribunal de Contas da União (TCU).

  1. Prevalência das cotas sobre a escala gráfica. Quando a medida obtida com escalímetro sobre a folha diverge do valor numérico da cota, prevalece a cota. Medir na régua é aproximação, cota é informação declarada pelo projetista.
  2. Prevalência do documento de data mais recente. Quando coexistem folhas de datas distintas do mesmo documento, prevalece a mais recente sobre qualquer versão anterior ou estudo preliminar.

Os dois critérios nasceram no contexto de obra pública, mas funcionam como regra de interpretação técnica em qualquer contrato, e vale escrevê-los no procedimento interno da construtora para encerrar a discussão antes que ela comece.

Falta uma terceira situação, que os critérios acima não resolvem sozinhos: disciplinas em ritmos diferentes. Se a arquitetura está na R03 e a elétrica na R01, a folha mais recente da arquitetura não autoriza executar a elétrica por dedução. Nesse caso o que decide é a compatibilização, e a resposta correta é acionar a coordenação para emitir a revisão da disciplina atrasada, não interpretar a diferença no canteiro.

Perguntas frequentes

O que significa R00 em um projeto?

R00 é a emissão inicial do projeto executivo, aprovada pela coordenação e liberada para execução no canteiro. Ela marca a linha de base da construção. Antes do R00, o documento está em fase de estudo ou aprovação e costuma usar índice alfabético, como Rev. A ou Rev. B, que não autoriza execução.

Qual a diferença entre versão e revisão de projeto?

Versão é qualquer estado do arquivo enquanto o projetista trabalha nele, inclusive salvamentos internos que ninguém mais vê. Revisão é a alteração formalizada, aprovada pela coordenação, com índice novo, data e descrição no carimbo. Só a revisão é publicada, distribuída e registrada na lista mestra.

Posso executar um serviço com uma prancha em Rev. B?

Não. O índice alfabético indica documento em desenvolvimento, compatibilização ou aprovação legal, sujeito a alteração por decisão de projeto ou exigência de órgão público. A execução só é autorizada a partir da emissão R00 do projeto executivo, com o carimbo de LIBERADO PARA EXECUÇÃO preenchido.

E quando a arquitetura está na R03 e a elétrica ainda na R01?

Não interprete a diferença no canteiro. A folha mais nova de uma disciplina não valida por dedução o desenho atrasado de outra. Acione a coordenação de projetos para compatibilizar e emitir a revisão pendente. Enquanto isso, serviços afetados pela divergência ficam bloqueados, com registro do motivo.

Dá para usar WhatsApp ou Google Drive para mandar planta para o canteiro?

Funciona para avisar, não para controlar. Arquivo enviado por mensagem vira cópia não controlada no instante do download, porque não atualiza sozinho, não tem status e não pode ser recolhido. Pasta genérica de nuvem também não registra distribuição nem impede que a versão antiga continue aberta no celular de alguém.

O que a auditoria do PBQP-H olha no controle de projetos?

Pede a lista mestra atualizada, o procedimento de controle de documentos, o Plano de Qualidade da Obra (PQO) e a evidência de distribuição. No canteiro, verifica se as pranchas em uso têm carimbo de cópia controlada e se as revisões superadas foram recolhidas, inutilizadas ou carimbadas como OBSOLETO.

Quem aprova uma revisão de projeto?

A coordenação de projetos da contratante, depois da análise crítica que verifica o impacto da alteração nas demais disciplinas. O projetista propõe e publica, a coordenação aprova e libera, a obra recebe mediante protocolo. Quando esses três papéis se misturam em uma pessoa só, o controle deixa de existir na prática.

Da regra escrita ao canteiro que cumpre

Todo o processo descrito aqui depende de uma coisa: que a resposta para "essa folha é a última?" esteja a poucos segundos de distância de quem está com a folha na mão. Quando os projetos moram em pasta compartilhada, e-mail e grupo de mensagem, essa resposta custa um telefonema, e telefonema não acontece às sete da manhã na frente de serviço.

É exatamente essa a função do módulo Arquivos e projetos do Obras Check: "Centralize projetos, plantas e documentos. Versão certa, sempre acessível, no canteiro ou no escritório." Cada arquivo carrega seu histórico de versões com o índice visível na miniatura, aceita comentário e marcação sobre a própria planta, e pode ser compartilhado por QR Code ou link, para que a validação em campo seja um gesto de câmera, não um procedimento.

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Sobre o autor

Foto de Guilherme Xavier Sella

Guilherme Xavier Sella

Engenheiro Civil e CEO do Obras Check

Criei o Obras Check para padronizar e organizar a gestão e qualidade das obras.

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